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Publicado por Dra. Raquel Scherer de Fraga por 19 de maio de 2022
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  • Doenças Hepáticas
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Colangite Biliar Primária tem cura

Você já ouviu falar sobre a colangite biliar primária?

A doença é rara, pouco conhecida e se caracteriza por ser autoimune, na qual o próprio sistema imunológico ataca as células boas do fígado.

Aos poucos o fígado vai perdendo a função hepática e deixa de funcionar corretamente.

Ela afeta, principalmente, pessoas do sexo feminino na proporção de 5 mulheres para cada homem. Mas sua proporção pode variar conforme a região do mundo.

Quer saber mais sobre a doença e descobrir se a colangite biliar primária tem cura? 

Então acompanhe mais informações a seguir!

O que é a colangite biliar primária?

A colangite biliar primária é uma doença que causa inflamação nos ductos biliares do fígado e se caracteriza por ser crônica, progressiva e autoimune.

O ducto biliar é um tubo responsável por mover a bile e ajuda a digerir as gorduras dos alimentos.

Quando afetado pela doença, ocorre a formação de fibrose nesses dutos, que é como se fossem cicatrizes. 

Justamente por isso essa doença era chamada de cirrose biliar primária, já que a formação de fibrose é uma característica comum tanto à cirrose quanto ao que chamamos hoje de colangite biliar.

Quando a inflamação causa danos aos ductos biliares o fluxo da bile também é afetado, o que causa inflamação também das células hepáticas. 

À medida que o fígado vai tentando reparar essa inflamação, se desenvolve fibrose, que pode levar à cirrose.

Qual a causa da colangite biliar primária?

Sabe-se que a colangite biliar primária possui causas hereditárias, porém isso não é tudo.

É a união desses genes com outros fatores ainda não descobertos que podem gerar a doença.

Pode ser um gatilho inicial como um medicamento, uma infecção ou outros fatores que podem iniciar o desenvolvimento da doença, mas ainda não há confirmações claras sobre o assunto.

Como é uma doença autoimune, o corpo passa a produzir anticorpos que, aos poucos, realizam a destruição dos ductos biliares.

Colangite Biliar Primária é grave

– Principais fatores de risco

Pessoas que já possuem doenças autoimunes, como artrite reumatoide, esclerodermia, tireoidite autoimune e síndrome de Sjögren podem desenvolver a colangite biliar.

Entretanto, outros fatores de risco, como a já citada predisposição genética também podem ser um fator de risco. 

A doença afeta em sua maior parte mulheres de meia idade, isto é, que estão passando pela menopausa ou que já saíram dela.

Segundo a portaria conjunta de SCTIE/SAES/MS de número 11, de setembro de 2019, a proporção de mulheres afetadas é 10:1. Ou seja, a cada 10 mulheres, 1 delas é acometida pela doença.

Notou-se também que a doença é mais comum no norte da Europa, o que especula-se que pode ocorrer devido a fatores climáticos.

Neste vídeo, eu falo mais sobre o assunto. Confira!

Quais os sintomas da colangite biliar primária?

No início, a colangite biliar primária é assintomática. Se houver sintomas, é provável que eles aconteçam em um estágio mais avançado da doença.

Um dos principais deles é o prurido, isto é, uma coceira intensa que pode começar nas palmas das mãos e dos pés, mas também se espalhar para todo o corpo.

Outros sintomas da colangite biliar primária que podem surgir com o tempo são:

  • fadiga intensa;
  • deficiência de vitaminas A, D, E e K;
  • manchas escuras na pele;
  • olhos e boca seca;
  • xantelasma – pequenos depósitos de gordura acumulada embaixo da na pele, principalmente ao redor dos olhos; 
  • icterícia;
  • ascite.

A deficiência de vitaminas pode ocasionar o desenvolvimento de determinadas doenças e condições, como a osteoporose e a ocorrência de hematomas e sangramentos. 

Leia também: Fígado Saudável: Saiba como melhorar a saúde do seu

Diagnóstico da colangite biliar primária

O marco do diagnóstico em portadores de colangite biliar primária é a identificação de um anticorpo chamado de anti-mitôcondria.

Isso porque ele está presente em mais de 90% dos casos da doença.

Mas como a doença é silenciosa, geralmente ela é identificada em um exame de sangue de rotina. 

O médico pode suspeitar da doença, principalmente em mulheres de meia idade, as quais têm mais chance de desenvolver o quadro.

Se houver suspeita, podem ser solicitados:

  • testes de função hepática;
  • exames de sangue para identificação de fosfatase alcalina ou GGT.;
  • exames de imagem, como ressonância magnética e ultrassonografia;
  • biópsia.

Os exames de imagem vão identificar se há obstrução dos dutos biliares do fígado.

Já os exames de sangue vão identificar a presença de anticorpos anti-mitocondriais, avaliar o grau de inflamação hepática e estimar a função hepática.

O diagnóstico de colangite biliar primária pode ser firmado sem a necessidade de biópsia hepática, reservando-se a biópsia apenas para os casos duvidosos.

Quais são as possíveis complicações da colangite biliar primária?

As complicações são preocupantes e envolvem cirrose e câncer nos casos mais graves.

Veja uma lista com as principais complicações da doença:

  • varizes esofágicas e/ou gástricas – ocorre quando a doença afeta o fluxo de sangue na veia porta;
  • câncer de fígado; 
  • cirrose
  • encefalopatia hepática – podem surgir no paciente que já tem cirrose, a partir do momento que o sangue não é filtrado corretamente pelo fígado e as toxinas são liberadas na corrente sanguínea;

Como é o tratamento para a colangite biliar primária?

Colangite Biliar Primária sintomas

A colangite biliar primária não tem cura, mas possui tratamento que pode retardar a progressão da doença.

Apesar de ser uma doença auto-imune, o seu tratamento em geral não inclui agentes imunossupressores. O tratamento inicial consiste no uso do ácido ursodeoxicólico ou ursodiol, que deve ser iniciado o mais cedo possível pois retarda a progressão da doença e melhora o prognóstico e a sobrevida. 

Outros pontos a serem tratados são as complicações da doença, como a coceira, que pode ser tratada com colestiramina, bezafibrato, rifampicina, entre outros. 

A alimentação na colangite biliar primária também deve ser um ponto de atenção, pois pode ajudar na redução da fadiga.

Entretanto, é importante deixar claro que quanto mais tarde for feito o diagnóstico da doença, em termos de idade, maior é o impacto na qualidade de vida do paciente.

Pacientes em estágio avançado da doença podem necessitar de transplante hepático.

Fazer os exames de rotina e ter acompanhamento médico é sempre muito importante para o diagnóstico precoce da colangite biliar primária e também de outras doenças hepáticas que podem ser silenciosas.

Em casos mais graves, o transplante de fígado pode ser necessário.

Se necessário, agende a sua consulta!

Conclusão

A colangite biliar primária é uma doença grave que afeta os ductos biliares do fígado, podendo causar complicações como câncer e cirrose.

Por ser uma doença silenciosa, geralmente é diagnosticada em exames de sangue de rotina.

Mulheres de meia idade são as mais afetadas e por isso devem consultar sempre o seu médico, fazer os exames de rotina e ficar atenta a quaisquer alterações.

Confira outros conteúdos sobre hepatologia no blog!

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Dra. Raquel Scherer de Fraga

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