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Publicado por Dra. Raquel Scherer de Fraga por 16 de janeiro de 2020
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No Brasil, 60% dos casos de carcinoma hepatocelular (CHC), o câncer primário de fígado, são diagnosticados em estágios avançados, quando restam apenas cuidados paliativos. Este e outros dados foram apresentados no 1º Simpósio Internacional de Hepatocarcinoma, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O objetivo do evento, que tive o prazer de participar no mês de novembro, foi de aproximar as diferentes especialidades envolvidas no combate à doença (hepatologistas, cirurgiões hepatobiliares, oncologistas, radiologistas, patologistas e radioterapeutas) para discutir as melhores formas de utilização das novas tecnologias disponíveis, tanto para diagnóstico quanto para tratamento.

A mortalidade por CHC é muito alta, e a incidência praticamente se equipara à taxa de mortalidade, sendo a quinta causa de morte por neoplasia no Brasil. Dos fatores de risco relacionados, a hepatite B é a causa mais frequente de CHC no mundo. Já o uso excessivo de álcool e a hepatite C aumentam o risco de desenvolver a doença em 5 e 17 vezes, respectivamente. Outra doença que merece destaque neste contexto é a esteatose (gordura no fígado), cuja incidência vem crescendo de forma acelerada. Pessoas com esteatose, além de maior risco de desenvolver CHC, apresentam uma mortalidade maior relacionada a esta doença devido às comorbidades existentes, como diabetes, hipertensão e obesidade.

O arsenal terapêutico para CHC tem se ampliado nos últimos anos, compreendendo a cirurgia, tratamentos locais (radioablação, radioembolização, quimioembolização e radioterapia), transplante hepático, terapia com medicamentos sistêmicos e, mais recentemente, a imunoterapia. A questão é que os tratamentos disponíveis para o câncer de fígado avançado só podem ser realizados em pacientes com cirrose e função hepática preservadas. Portanto, aqueles com cirrose descompensada não possuem opções terapêuticas no momento, caso diagnostiquem tardiamente a doença. Dessa forma, todos os pacientes com cirrose devem manter vigilância cuidadosa para o diagnóstico precoce de CHC.

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Dra. Raquel Scherer de Fraga

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